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Reforma Tributária

Guia técnico • Atlas Contabilidade

Reforma Tributária: entenda o que muda para empresas, operações e sistemas

Um guia executivo sobre a Reforma Tributária e seus impactos em tributação, fluxo de caixa, sistemas fiscais e operação das empresas.

26,5%

Estimativa de alíquota total de referência do novo modelo

17,7% + 8,8%

Composição estimada de IBS e CBS

2026–2033

Fase prática de implantação, validação e transição integral

Resumo do material

Modelo de IVA Dual

A tributação sobre consumo passa a ser organizada em dois tributos principais: CBS, de competência federal, e IBS, compartilhado entre estados e municípios.

Impacto além do fiscal

A reforma altera precificação, emissão de documentos fiscais, parametrização de ERP, crédito tributário e capital de giro.

Simples Nacional também exige revisão

A transição afeta repartição interna do DAS, leitura de anexos e necessidade de simulação por atividade e faixa de receita.

Introdução

A Reforma Tributária muda a lógica da tributação sobre consumo no Brasil

O novo modelo busca simplificação, maior transparência e tributação baseada no valor agregado. Ao mesmo tempo, sua implementação exige revisão de processos fiscais, estrutura de dados, sistemas de gestão (ERP), cadastros, controles financeiros e emissão de documentos eletrônicos.

Menos fragmentação

A proposta substitui diversos tributos incidentes sobre o consumo por uma estrutura centralizada baseada na CBS e no IBS, além da criação do Imposto Seletivo para situações específicas. Essa reorganização reduz a fragmentação do sistema atual e aproxima o Brasil do modelo internacional de IVA.

Mais governança operacional

Com a nova estrutura, empresas passam a depender ainda mais da classificação tributária correta, parametrização de sistemas, validações fiscais e integração entre áreas contábil, fiscal, financeira e tecnológica.

Planejamento contínuo

A transição será gradual e exigirá acompanhamento contínuo por empresas e escritórios contábeis. Será necessário interpretar o cronograma de implantação, realizar simulações financeiras, adaptar documentos fiscais e monitorar regulamentações até a vigência integral do novo modelo prevista para 2033.

Contexto internacional

O IVA já é um modelo consolidado internacionalmente e inspira a nova lógica tributária brasileira

A proposta brasileira se aproxima do modelo de tributação sobre valor agregado já adotado em diversas economias do mundo. A lógica central é simples: cada etapa da cadeia paga tributo apenas sobre o valor que efetivamente agregou à operação.

Modelo

IVA

Tributação sobre valor agregado em cada etapa da cadeia.

Referência

Países que utilizam

Exemplos clássicos de países que utilizam esse modelo incluem Nova Zelândia, Índia e Canadá.

Lógica

Crédito entre etapas

O imposto pago na etapa anterior gera crédito na etapa seguinte, reduzindo a cumulatividade ao longo da cadeia produtiva.

Benefícios esperados

Simplificação

Menor fragmentação tributária e redução da sobreposição de regras.

Fim da cumulatividade

Aproveitamento mais claro de créditos tributários ao longo da cadeia.

Transparência

Maior clareza sobre a carga tributária incidente em cada operação.

Competitividade

Ambiente mais previsível para precificação, operação e crescimento.

IVA Dual

O modelo brasileiro de IVA será dual: CBS na esfera federal e IBS na esfera estadual e municipal

A Reforma Tributária introduz no Brasil um sistema baseado no conceito de Imposto sobre Valor Agregado (IVA), modelo amplamente utilizado em diversas economias do mundo.

Nesse sistema, o imposto incide apenas sobre o valor que cada etapa da cadeia econômica adiciona ao produto ou serviço. O tributo pago na etapa anterior gera crédito para a etapa seguinte, reduzindo a cumulatividade e permitindo maior transparência na formação do preço final.

No Brasil, o IVA será estruturado em duas camadas: a CBS, administrada pela União, e o IBS, compartilhado entre estados e municípios. O sistema também adota a lógica de tributação no destino, em que o imposto é direcionado ao local onde ocorre o consumo do bem ou serviço.

CBS

Contribuição sobre Bens e Serviços de competência federal. Substitui tributos como PIS e Cofins e terá alíquota definida por lei ordinária da União.

IBS

Imposto sobre Bens e Serviços compartilhado entre estados e municípios. A alíquota de referência será definida pelo Senado Federal e a composição final resultará da soma das parcelas estaduais e municipais.

Pontos práticos do modelo

  • A tributação passa a considerar o local de destino da operação, ou seja, onde ocorre o consumo do bem ou serviço.
  • CBS e IBS incidem de forma ampla sobre operações com bens e serviços.
  • O sistema permite a compensação de créditos tributários ao longo da cadeia produtiva.
  • As alíquotas finais ainda dependem de regulamentação complementar e consolidação normativa.

Benefícios esperados

Simplificação Redução da fragmentação tributária e menor sobreposição de impostos.
Transparência A carga tributária passa a ser demonstrada de forma mais clara.
Não cumulatividade Possibilidade de compensação de créditos tributários ao longo da cadeia.
Competitividade Maior previsibilidade tributária para investimento e gestão empresarial.

Exemplo simplificado do IVA na cadeia econômica

Neste exemplo, uma camiseta passa por diferentes etapas da cadeia produtiva. Cada empresa paga imposto apenas sobre o valor que adiciona ao produto, utilizando como crédito o imposto pago na etapa anterior.

Produção de camiseta

Indústria 1

Preço R$30
+ IVA R$3
Total venda R$33
Processamento da camiseta

Indústria 2

Compra R$33
Preço R$40
+ IVA R$4
Total venda R$44
Apuração IVA
Crédito R$3
Débito R$4
Saldo a pagar R$1
Finalização da camiseta

Indústria 3

Compra R$44
Preço R$60
+ IVA R$6
Total venda R$66
Apuração IVA
Crédito R$4
Débito R$6
Saldo a pagar R$2
Venda no comércio

Comércio

Compra R$66
Preço R$70
+ IVA R$7
Total venda R$77
Apuração IVA
Crédito R$6
Débito R$7
Saldo a pagar R$1
Camiseta final vendida ao consumidor

Consumidor

Compra R$77
Camiseta R$70
IVA R$7
Alíquotas e composição

Estimativa de alíquota de referência nacional: 26,5%.

O material destaca a composição estimada da carga em 17,7% de IBS e 8,8% de CBS, totalizando 26,5%. Esses números ainda estão sujeitos à regulamentação e ajustes de implementação.

IBS

17,7%

Composição estadual e municipal do imposto sobre bens e serviços.

CBS

8,8%

Contribuição federal incidente sobre bens e serviços.

Total estimado

26,5%

Alíquota de referência agregada apresentada no material.

Regimes diferenciados e reduções de alíquota

A reforma tributária prevê regimes diferenciados para alguns setores da economia, com reduções parciais ou totais das alíquotas do IBS e da CBS.

Redução de 60%

Educação

Saúde

Dispositivos médicos

Medicamentos

Insumos agropecuários

Produtos agropecuários

Redução de 30%

Advocacia

Medicina

Contabilidade

Educadores físicos

Redução de 100%

Cesta básica

Medicamentos específicos

A aplicação prática dessas reduções depende da regulamentação complementar e da classificação de cada produto ou serviço na legislação do IBS e da CBS.

Antes x Depois

Mudança estrutural na lógica de tributação do consumo

A reforma tributária altera profundamente a forma como os tributos sobre consumo são calculados, interpretados e operacionalizados dentro das empresas.

Antes

Modelo atual

  • Múltiplos tributos incidindo sobre consumo com competências fragmentadas.
  • Baixa transparência sobre a carga efetiva por operação.
  • Alto esforço operacional para cumprir obrigações e parametrizações fiscais.
Depois

Nova lógica tributária

  • CBS e IBS estruturam a tributação sobre consumo.
  • Tributos calculados “por fora”, aumentando transparência da operação.
  • Crédito, destino da operação e documentação passam a ter maior relevância.
Por fora x por dentro

A nova lógica tributária torna a carga mais transparente quando os tributos são calculados “por fora”

No modelo do IVA, o valor da operação permanece visível e os tributos são adicionados separadamente. Isso facilita a leitura da carga tributária real da operação.

Cálculo “por fora”

Tributos aplicados diretamente sobre o valor da operação

Valor da operação R$ 1.000,00
IBS R$ 1.000,00 × 17,7% = R$ 177,00
CBS R$ 1.000,00 × 8,8% = R$ 88,00
Alíquota efetiva nova 26,50%

Como seria “por dentro”

Modelo semelhante ao sistema atual de tributos embutidos no preço

Valor da operação R$ 1.000,00
Base de cálculo R$ 1.000,00 / (1 − 26,5%) = R$ 1.360,54
IBS R$ 1.360,54 × 17,7% = R$ 240,82
CBS R$ 1.360,54 × 8,8% = R$ 119,73
Alíquota efetiva equivalente 36,06%
Impactos para empresas

A reforma muda tributação, operação fiscal e fluxo financeiro

A implementação do modelo de IVA dual (IBS e CBS) altera o momento de apropriação de créditos, o fluxo de caixa das empresas, o modelo de recolhimento tributário e as exigências de informação nos documentos fiscais eletrônicos.

💰

Fluxo de caixa

A lógica do crédito tributário passa a depender do pagamento da operação. Isso pode gerar desalinhamento entre entradas, saídas e aproveitamento de créditos, exigindo maior controle financeiro.

💳

Split Payment

Parte do valor pago pelo cliente poderá ser automaticamente segregada para recolhimento do IBS e da CBS no momento da liquidação da operação.

📊

Crédito condicionado

O direito ao crédito tributário dependerá da regularidade da operação e do pagamento ao fornecedor, aumentando a importância da conformidade fiscal.

🖥️

Sistemas e ERP

ERPs, integrações fiscais e cadastros precisarão ser adaptados para suportar novas regras de cálculo, validação e rastreabilidade das operações.

Como funciona o split payment

No modelo tradicional, a empresa recebe o valor total da venda e posteriormente apura e recolhe os tributos. Com o split payment, parte do pagamento do cliente pode ser automaticamente direcionada ao recolhimento do IBS e da CBS no momento da liquidação financeira da operação.

Fluxo de caixa

Pode haver desalinhamento entre recebimento da operação, recolhimento e aproveitamento do crédito.

Crédito condicionado

O aproveitamento do crédito exige maior disciplina operacional e melhor governança das obrigações.

Capital de giro

Empresas com ciclo financeiro apertado devem revisar projeções de caixa, prazo médio e necessidade de capital.

Etapa 1

Pagamento da operação

O cliente realiza o pagamento da compra ou serviço utilizando meios eletrônicos como cartão, PIX ou boleto.

Exemplo didático: operação de R$ 1.000,00.

Etapa 2

Identificação do tributo

A instituição de pagamento identifica, com base no documento fiscal eletrônico, qual parcela da operação corresponde aos tributos IBS e CBS.

Etapa 3

Separação automática

A parcela tributária pode ser direcionada automaticamente ao recolhimento, e a empresa recebe apenas o valor líquido da operação.

Impactos práticos

  • • Redução da inadimplência tributária.
  • • Maior previsibilidade na arrecadação.
  • • Pressão adicional sobre capital de giro.
  • • Integração entre sistemas financeiros e fiscais.
  • • Distribuição proporcional do tributo em pagamentos parcelados.
  • • Maior rastreabilidade das operações.
Split Payment

O recolhimento pode ocorrer no momento da liquidação financeira da operação

No novo desenho, parte do pagamento realizado pelo cliente poderá ser automaticamente segregada para recolhimento de IBS e CBS. Isso reduz inadimplência tributária, mas muda de forma relevante a dinâmica financeira das empresas.

Etapa 1

Pagamento

O cliente paga a operação por cartão, PIX, boleto ou outro arranjo.

Etapa 2

Identificação tributária

O documento fiscal informa a parcela correspondente a IBS e CBS.

Etapa 3

Separação automática

Parte do valor segue para a empresa e parte pode ser recolhida ao governo.

Exemplo visual

Valor pago pelo cliente R$ 1.000,00
Parcela da empresa Valor líquido

Recebimento após segregação da parcela tributária.

Parcela do tributo IBS + CBS

Recolhimento vinculado à liquidação financeira.

Pontos críticos

  • • Menor espaço para inadimplência tributária
  • • Maior dependência de integração entre fiscal e financeiro
  • • Pressão adicional sobre capital de giro
  • • Distribuição proporcional em pagamentos parcelados
Preparação estratégica

Como as empresas devem se preparar para a reforma tributária

A transição para o modelo de IVA dual exigirá uma revisão profunda de processos fiscais, financeiros e tecnológicos. Empresas que anteciparem esse planejamento terão maior previsibilidade operacional e menor risco de impacto no fluxo de caixa.

Além da adaptação tributária, será necessário ajustar sistemas, processos internos e governança de dados para garantir conformidade com as novas regras de cálculo e recolhimento.

01
Análise

Diagnóstico tributário

Mapear como IBS e CBS impactarão a carga tributária atual, avaliando regimes fiscais, cadeia de fornecedores, margens e estrutura de custos da empresa.

02
Financeiro

Simulação de cenários

Projetar cenários de fluxo de caixa considerando split payment, crédito condicionado ao pagamento e novas regras de compensação tributária.

03
Tecnologia

Adequação de sistemas

Atualizar ERPs, integrações fiscais e cadastros para suportar novas regras de cálculo, validação de documentos fiscais e rastreabilidade.

04
Gestão

Governança e processos

Capacitar equipes fiscais, financeiras e de tecnologia para garantir consistência das informações, compliance e adaptação às novas obrigações.

NF-e e validações

Checklist da Nota Fiscal na Reforma Tributária

A emissão fiscal passa a exigir novos campos, novos grupos de informação e maior disciplina de parametrização. Em 2025 parte das informações pode ser utilizada em ambiente de testes; em 2026 a validação passa a ter impacto direto na aceitação da nota fiscal.

Identificação Tributária
  • cClassTrib → Código de Classificação Tributária (IBS, CBS e IS).
  • CST → Código de Situação Tributária para cada tributo.
Regras Especiais
  • gDevTrib → Devolução de tributos.
  • gRed → Redução da base de cálculo.
  • gDif → Diferença de alíquota (DIFAL).
  • gTribRegular → Tributação regular.
Valores e Alíquotas
  • vIBS / vIBSUF / vIBSMun → Valores do IBS.
  • vCBS → Valor da CBS.
  • pAliqEfet → Alíquota efetiva aplicada.
  • vCredPres → Crédito presumido quando aplicável.
Cronograma

2025

Campos disponíveis para testes.

2026

Validação obrigatória na NF-e.

Impacto operacional

ERP

Revisão de parametrização e regras fiscais.

Documentos fiscais

Ajustes estruturais na NF-e.

Governança fiscal

Integração entre fiscal, contábil e tecnologia.

Estrutura tributária

O sistema sai de uma lógica fragmentada para um modelo mais concentrado em CBS e IBS

Para o empresário, uma das leituras mais importantes da reforma é entender com clareza o que sai, o que permanece e o que entra na nova estrutura tributária.

Modelo atual

PIS Federal
Cofins Federal
ICMS Estadual
ISS Municipal

Nova lógica

CBS Federal
IBS Estadual + Municipal

Tributação no destino

A incidência passa a considerar com maior relevância o local do consumo da operação.

Cálculo por fora

Maior transparência sobre a carga tributária da operação.

Cronograma da reforma tributária

Transição gradual do sistema tributário brasileiro até 2033

A implementação do novo modelo baseado em IBS e CBS ocorrerá de forma gradual ao longo de uma década. O objetivo da transição é permitir que empresas, governos e sistemas fiscais se adaptem progressivamente às novas regras de tributação sobre consumo.

2023

Emenda constitucional que institui a reforma tributária.

2024–2025

Regulamentação por leis complementares e definição da governança do IBS.

2026

Ano teste da CBS (0,9%) e IBS (0,1%).

2027

CBS entra em vigor e PIS/Cofins são extintos.

2029–2032

Transição gradual de ICMS e ISS para IBS.

2033

Novo modelo plenamente implementado.

Fase de regulamentação

Entre 2024 e 2025 serão definidas as regras operacionais do novo modelo tributário, incluindo governança do IBS, imposto seletivo, créditos tributários e sistemas de arrecadação.

Fase de testes

Em 2026 começa um período de testes com alíquotas simbólicas de IBS e CBS para permitir adaptação de empresas, sistemas fiscais e plataformas de arrecadação.

Fase de transição

Entre 2029 e 2032 os tributos atuais ICMS e ISS serão gradualmente reduzidos enquanto a participação do IBS aumenta até substituir completamente os tributos antigos.

Evolução das alíquotas na transição tributária

Durante o período de transição (2026–2032), os tributos atuais sobre consumo serão gradualmente substituídos pelo novo modelo de IVA dual composto pela CBS (federal) e pelo IBS (estadual e municipal).

Tributo 2026 2027 2028 2029 2030 2031 2032 2033
Federal
PIS / Cofins Compensação Extintos
IPI Mantido Zerado* Zerado* Zerado* Zerado* Zerado* Zerado* Zerado*
CBS 0,9% 8,79% 8,79% 8,8% 8,8% 8,8% 8,8% 8,8%
Estadual / Municipal
ICMS 12% 12% 12% 10,8% 9,6% 8,4% 7,2% 0%
ISS 5% 5% 5% 4,5% 4% 3,5% 3% 0%
IBS 0,1% 0,1% 0,1% 1,77% 3,54% 5,31% 7,08% 17,7%

* Exceto produtos da Zona Franca de Manaus.

Como ocorrerá a substituição dos tributos

A reforma tributária estabelece um período de transição de aproximadamente sete anos para substituir os tributos atuais sobre consumo pelo novo modelo de IVA dual composto pela CBS e pelo IBS.

2026 — fase de testes

CBS e IBS começam a ser cobrados com alíquotas simbólicas (0,9% e 0,1%). Nesse período os valores são compensados com PIS e Cofins para permitir adaptação dos sistemas tributários e das empresas.

2027 — início do novo modelo federal

A CBS passa a substituir definitivamente o PIS e a Cofins. O IPI tem suas alíquotas reduzidas a zero, com exceção dos produtos fabricados na Zona Franca de Manaus.

2029 a 2032 — substituição gradual

ICMS e ISS são gradualmente reduzidos enquanto o IBS aumenta progressivamente até substituir completamente os tributos atuais sobre consumo.

Visão geral do regime

O Simples Nacional continua sendo um regime central para micro e pequenas empresas

Mesmo com a Reforma Tributária, o Simples Nacional permanece como um regime simplificado de recolhimento. A empresa continua pagando tributos em guia única mensal, mas a interpretação do regime passa a exigir atenção maior à transição entre os tributos atuais e a nova lógica de CBS e IBS.

Antes de analisar anexos, faixas e alíquotas, é importante entender como o regime funciona na prática, quais tributos podem compor o DAS e por que ele continua relevante no planejamento tributário das empresas de pequeno porte.

Guia única

Recolhimento unificado por meio do DAS, reduzindo complexidade operacional.

Regime por anexos

A carga varia conforme atividade econômica, faixa de receita e enquadramento.

Pontos-chave do regime

Base introdutória para leitura dos anexos

  • Pagamento unificado de tributos em uma única guia mensal.
  • Alíquota progressiva conforme a receita bruta acumulada nos últimos 12 meses.
  • Enquadramento definido pelo anexo aplicável à atividade da empresa.
  • Disponível para empresas com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões.

Funcionamento do regime

Como funciona o Simples Nacional

O Simples Nacional foi criado para simplificar a apuração e o pagamento de tributos das micro e pequenas empresas. Em vez de recolher diversos impostos separadamente, a empresa realiza o pagamento em uma única guia mensal chamada DAS.

O valor do DAS é calculado com base na receita bruta acumulada nos últimos 12 meses e no anexo aplicável à atividade econômica.

Composição da guia

Tributos que podem compor o DAS

Dependendo do anexo e da atividade econômica, o Simples Nacional reúne tributos federais, estaduais e municipais em um único recolhimento mensal.

IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica Federal
CSLL Contribuição sobre o Lucro Líquido Federal
PIS/Pasep Programa de Integração Social Federal
Cofins Contribuição para Seguridade Social Federal
CPP Contribuição Previdenciária Patronal Previdência
ICMS Imposto sobre Circulação de Mercadorias Estadual
ISS Imposto sobre Serviços Municipal

Reforma tributária

Como a composição do DAS muda com a reforma

A reforma tributária introduz novos tributos sobre consumo — CBS e IBS — que passam a integrar a estrutura de composição do Simples Nacional durante o período de transição do novo modelo tributário.

Estrutura atual

Tributos hoje reunidos na guia única do Simples Nacional

IRPJ Federal
CSLL Federal
PIS Federal
COFINS Federal
CPP Previdência
ICMS Estadual
ISS Municipal

A guia do Simples Nacional reúne tributos federais, estaduais e municipais em um único recolhimento mensal, simplificando a apuração das micro e pequenas empresas.

Estrutura após a reforma

Nova composição com os tributos do modelo de IVA dual

IRPJ Federal
CSLL Federal
CBS Novo tributo
CPP Previdência
IBS Novo tributo

A composição da guia passa a refletir os novos tributos sobre consumo e exigirá maior compreensão da repartição interna dos tributos durante o período de transição da reforma.

Simples Nacional

As tabelas do Simples continuam centrais, mas a leitura precisa incorporar a transição para CBS e IBS

A apresentação traz os anexos e a redistribuição de parcelas entre tributos ao longo da transição. Abaixo, a página consolida as tabelas em formato responsivo, mantendo o padrão institucional do restante da landing page.

Simulação resumida

Exemplo prático de cálculo

Exemplo ilustrativo para leitura das tabelas

Receita mensal

R$ 80.000,00

Alíquota efetiva

8,356%

DAS estimado

R$ 6.684,80

Estrutura do regime

Os anexos organizam a tributação conforme a natureza da atividade

No Simples Nacional, o enquadramento depende do perfil da atividade exercida pela empresa. Cada anexo possui faixas, alíquotas nominais e parcelas a deduzir próprias, o que influencia diretamente a carga efetiva do DAS.

Anexo I

Comércio

Aplicável a atividades de revenda de mercadorias, varejo e atacado.

Anexo II

Indústria

Abrange fabricação, transformação e produção industrial.

Anexo III

Serviços

Reúne diversas prestações de serviços com estrutura tributária própria.

Anexo IV

CPP fora do DAS

Serviços em que a contribuição previdenciária patronal é recolhida separadamente.

Anexo V

Serviços técnicos

Atividades intelectuais e técnicas, com atenção especial ao fator R.

Tabelas de alíquotas do Simples Nacional

As tabelas abaixo apresentam as faixas de receita bruta acumulada, as alíquotas nominais e as parcelas a deduzir de cada anexo. Elas são a base para o cálculo da alíquota efetiva do DAS.

Anexo I — Comércio
Faixa Receita bruta em 12 meses Alíquota nominal Parcela a deduzir
Até R$ 180.000,004,00%
De R$ 180.000,01 a R$ 360.000,007,30%R$ 5.940,00
De R$ 360.000,01 a R$ 720.000,009,50%R$ 13.860,00
De R$ 720.000,01 a R$ 1.800.000,0010,70%R$ 22.500,00
De R$ 1.800.000,01 a R$ 3.600.000,0014,30%R$ 87.300,00
De R$ 3.600.000,01 a R$ 4.800.000,0019,00%R$ 378.000,00
Anexo II — Indústria
Faixa Receita bruta em 12 meses Alíquota nominal Parcela a deduzir
Até R$ 180.000,004,50%
De R$ 180.000,01 a R$ 360.000,007,80%R$ 5.940,00
De R$ 360.000,01 a R$ 720.000,0010,00%R$ 13.860,00
De R$ 720.000,01 a R$ 1.800.000,0011,20%R$ 22.500,00
De R$ 1.800.000,01 a R$ 3.600.000,0014,70%R$ 85.500,00
De R$ 3.600.000,01 a R$ 4.800.000,0030,00%R$ 720.000,00
Anexo III — Prestação de serviços
Faixa Receita bruta em 12 meses Alíquota nominal Parcela a deduzir
Até R$ 180.000,006,00%
De R$ 180.000,01 a R$ 360.000,0011,20%R$ 9.360,00
De R$ 360.000,01 a R$ 720.000,0013,50%R$ 17.640,00
De R$ 720.000,01 a R$ 1.800.000,0016,00%R$ 35.640,00
De R$ 1.800.000,01 a R$ 3.600.000,0021,00%R$ 125.640,00
De R$ 3.600.000,01 a R$ 4.800.000,0033,00%R$ 648.000,00
Anexo IV — Serviços com incidência diferenciada de encargos trabalhistas

Neste anexo, a CPP não integra o DAS e é recolhida separadamente sobre a folha. Atividades típicas: construção civil, vigilância, limpeza, conservação e advocacia.

Faixa Receita bruta em 12 meses Alíquota nominal Parcela a deduzir
Até R$ 180.000,004,50%
De R$ 180.000,01 a R$ 360.000,009,00%R$ 8.100,00
De R$ 360.000,01 a R$ 720.000,0010,20%R$ 12.420,00
De R$ 720.000,01 a R$ 1.800.000,0014,00%R$ 39.780,00
De R$ 1.800.000,01 a R$ 3.600.000,0022,00%R$ 183.780,00
De R$ 3.600.000,01 a R$ 4.800.000,0033,00%R$ 828.000,00
Anexo V — Serviços intelectuais e técnicos com fator R inferior a 28%

Aplica-se em atividades de natureza intelectual, técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, quando o fator R não desloca a tributação para o Anexo III.

Faixa Receita bruta em 12 meses Alíquota nominal Parcela a deduzir
Até R$ 180.000,0015,50%
De R$ 180.000,01 a R$ 360.000,0018,00%R$ 4.500,00
De R$ 360.000,01 a R$ 720.000,0019,50%R$ 9.900,00
De R$ 720.000,01 a R$ 1.800.000,0020,50%R$ 17.100,00
De R$ 1.800.000,01 a R$ 3.600.000,0023,00%R$ 62.100,00
De R$ 3.600.000,01 a R$ 4.800.000,0030,50%R$ 540.000,00

Encerramento

O Simples Nacional permanece relevante, mas exige leitura técnica cada vez mais cuidadosa

Mesmo com a transição para CBS e IBS, o Simples Nacional continua sendo uma estrutura central para micro e pequenas empresas. A análise dos anexos, das faixas de faturamento e das regras de enquadramento segue essencial para decisões tributárias mais seguras.

Na prática, isso significa que empresas e escritórios contábeis precisam interpretar o regime não apenas como tabela, mas como parte de um planejamento tributário e operacional mais amplo.

Sua empresa já está preparada para a Reforma Tributária?

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